sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Laranja é a cor mais quente

Estávamos entrando no carro e eu disse que a tarde tinha ido, assim como num impulso, assistir o filme “Azul é a cor mais quente”, Arieta olhou pra mim e disse: O Antunes achou esse filme pornográfico. Tudo bem se esse Antunes fosse o pai, mas esse é o Filho, um dos caras mais geniais e ousados do teatro brasileiro. Antunes Filho já é um senhor, mas conserva a veia dos destemidos e transgressores homens da arte. E esse papo foi a deixa que eu queria pra falar de azul. A vida da personagem principal Adele é o retrato sem sal dos adolescentes básicos. Sem emoção, vida comum e com uma rotina enfadonha, que o diretor faz questão de enfatizar. Até aí tudo bem, uma menina normal. Mas só piora, Adele faz cara de paisagem quase o filme inteiro, ou chora e as vezes fuma. Parece perdida e deslocada sempre. Ela esta ali, mas a alma não esta. Isso é evidente do começo ao fim. Sim Antunes, como você eu achei que as cenas de sexo beirou a pornografia. Entenda, não que o sexo entre mulheres deva ser morno, mas plasticamente o excesso de verdade fica de mau gosto. Sem dúvida o diretor imprimiu a sua visão machista do que seria o sexo entre duas mulheres, achei invasivo fisicamente. Eu que não sou nada pudica, e gosto de sacanagem, mas em cada minuto da cena, que inclusive era super longa, eu afundava no cadeira, só que de constrangimento. Seria interessante talvez menos sexo explícito e mais desafios da personagem?! Um longa longo que podia poupar tempo do público quando já não tinha mais nada a dizer. Ok, é tocante, perder um grande amor e ter que ouvir que você é a melhor, mas é com a outra que ela vai ficar. Enfim, mas uma vez o esteriótipo das lésbicas boys com lésbicas girls e todo aquele amor. É, realmente azul não é a cor mais quente.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Com fé.

Foi assim: mesmo gostando de números ímpares, 2011 foi o pior ano da minha vida. 2012 foi insosso do começo ao fim, e 2013, confesso era a minha esperança. Conheci a pessoa mais especial da minha vida, eu. Não se trata de egocentrismo, vai além, trata-se de saber sobre a pessoa mais constante da sua existência, você. Assim sendo e sabendo você esta apta pra conhecer o outro. Descobrir-se em você mesmo é um trabalho árduo, há nisso tristeza e alegria, medos medonhos e sonhos claros. Há também poesia. Foi um ano inspirador, gerei, beijei, amei, fiz, desfiz. Descobri recantos e encantos em mim e no outro. Senti coisas pela primeira vez. Senti uma manada de elefantes no estômago. Uma emoção tão forte que minha alma vibra e em seguida tira a sua pra dançar. E eu amo dançar Bowie com você e depois voltar pra casa a pé e abraçadas e bêbadas e tudo tanto. Acho gente feliz chique, eu sei que a vida não tá fácil, mas com fé a gente vive. E eu tenho. 2013 se despe e se despede e eu continuo aqui. E quero ficar aqui por muito tempo, muitos carnavais e outros outonos. Confesso que minha alma antes nua, tem usado nas noites de frio jeans. Cuidei e fui cuidada, joguei imagem e ação sem roupa e abri meu coração pra um desconhecido de meia idade. Ele tinha lindos cabelos grisalhos e um olhar edredon. Eu gosto dele. Acho que tenho aprendido a gostar mais na mesma intensidade de gostar menos, jamais não gostar. Para o não gostar, eu prefiro o não existe. Desconheço o mal e reconheço o sorriso puro, largo. E para você ano, eu deixo o meu melhor sorriso. E assim, foi.

sábado, 23 de novembro de 2013

Mia.

Fome e medo. Esses são os primeiros sentimentos que você sente. Medo do futuro e de como será a sua provável relação mais intensa e duradora, que vai ter rasgar a alma, fazer rir, fazer chorar e mesmo assim você não vai conseguir viver sem. Não é uma pessoa a toa, que você enche o saco e manda embora, é a sua pessoa, você a fez em parceria. A alma vem pronta, aberta para evoluir, mas ao menos um sorriso seu terá. Uma dádiva da vida, onde você será diva. Prepare-se para noites em claro, antes por choros, anos depois por risos. Não, os risos não se aplicam a você, afinal você estará tensa, faz parte do pacote. A propósito nunca mais você será a mesma, sabe disso e gosta. Algumas sonham com esse momento, outras nem pensam, as mais radicais não querem nem ouvir falar nas possibilidades. Tem moças pra todos os gostos, coração. Pense na vida interessante que você irá mostrar, aqueles olhos atentos e curiosos, que se puxar ao pai serão olhos de mar. Se puxar a mãe será feliz. A grande herança, o legado deixado, a fé, a pluma, um filho de sol. O que será que é, será, seja em Tóquio, Berlim ou na Praça do Derby. E até ver o joelho brotando de você, terá como aliada os sonhos, a imaginação e a paciência. A sua primeira cor será amarelo, pois é o novo preto e realmente não fica muito adequado para esse ser de poucos quilos uma camisa preta do The Doors. Outra coisa importante desde o casulo é apresentar coisas bonitas e boas pessoas. Sim, não tem problema se terá dois pais, duas mães, duas mães e um pai ou uma mãe só. Até porque só, depois daquele dia, de desejo e de tesão, que sucederam outros dias, você não estará. Sobre a fome, agora são dois.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Troco um beijo por uma Heineken

E foi assim. Não necessariamente o amor, mas um bom sexo pode estar logo ali do lado, ou mesmo no andar de baixo, ou mesmo num bloco de carnaval. Sim, necessariamente sou movida a desejos, os meus que se entranham com os que miro e pra minha sorte e quem sabe azar o deles me miram também. Por incrível que pareça, uma cidade concreta como a que escolhi, tirou o concreto da minha alma, varreu poeiras e me permitiu exercer a minha fraqueza com a maior delicadeza e a liberdade de ser quem eu sou e do que sempre quis ser. Existe um oceano, dependendo da coragem um lago, que separa o que você é e o que você queria ser. Isso serve para todos. Nos meus inconstantes anos de vida e não sei ainda os quantos me esperam, mas que muitos sejam, porque viver é sempre ainda a melhor escolha, ando brejeira e verdadeira. O segundo momento, é o segundo ato, mesmo não gostando de números pares porque me cheira a caretice. Pra minha sorte, os iguais andam cada vez mais próximos a mim. E juntos somos insuperáveis. Uma manifestação por você, ele, eu, ela, nós, eu e ela. Acho que faz parte se perder por um tempo, dias, horas, mas é obrigação quase um decreto na cidade de concreto se achar. Ainda prefiro o preto ao amarelo que dizem que é o novo preto, e sim tenho preferido a quarta que dizem que é a nova sexta. E também, devo acrescentar que nada mais, ninguém me mete medo, porque depois de você perder o seu medo de você mesmo, descobre- se poder voar.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A.

Pode parecer um sinal, se é que você acredita em sinais, mas conhecer alguém no seu lugar preferido, o lugar que fora de casa é a sua casa, seu templo, deve ter algo de divino nisso. É lugar que abraça a alma com tanto carinho e espreme os seus sentidos de tal forma que a vista embaça. Foi assim, são assim os bons encontros, coisas em comum e caminhos leves. Mas ali naquele dia, meses atrás, ninguém, nem nós, em nada apostaria, como todas as despretensões que sempre guardam as melhores surpresas, taí uma palavra guia, despretensão. Falando em palavra, a nossa palavra preferida em comum é palavra e a nossa palavra não comum não tem letra. Pode parecer, e sei que parece e faço questão de te dizer, lembro ainda do tom dos seus olhos e do cheiro do seu abraço, tinha um laço, invisível e discreto, assim como devemos ser, só assim nos temos e não tememos, nada nem ninguém. Dessa forma somos um segredo íntimo e cru, se o nosso amor tivesse um tom, seria nude, assim como os tons que gostamos nas nossas fotos, que ainda não estão amareladas pelo tempo e que não sei se um dia estarão. Gostaria que sim. Você também fica linda sem maquiagem. Quando uma mulher consegue esse feito, é apenas a alma refletindo em pele e por vezes pelos, o que não é o seu caso. Ainda sobre maquiagem, o mundo anda atolado de mulheres feias sem maquiagem e maquiadas, isso inclui a cafonice da existência, só pra constar. No mais sigo respeitando os meus sinais e confesso, não tenho me arrependido. A.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Pelos.

A música de fundo é Los Hermanos. Não sou uma grande fã da banda, mas eles tem o seu valor, 4 barbudos juntos vão além. Nunca duvide de pêlos e peles. Duvide de cheiros. A luz lá fora é sol. Aqui a cor é azul. Não é a minha cor preferida, pra mim azul é uma cor educada, se fosse gente seria aquela amiga que nunca tomou um porre. Ainda não sei se gosto. Acho que não. Não gosto do óbvio e de tudo mais que vem dele. O tempo anda sendo paciente comigo e na medida do possível tento na frente dele me comportar como uma exímia boa moça, mas basta ele virar as costas que a maré vira. Aliás as costas é algo que aprendi a dar recentemente. Outras coisas aprendemos bem cedo. Me refiro no momento seguinte a perder o ar, aquelas velhas lagartixas no estômago. Aqueles antigos sonhos de crepon, aquela ânsia, aquela noite, aquele dia, aquele grito, a que ele disse, amargará. Amargo só ao amanhecer e no seu devido lugar. Agora é hora, já já "simbora". Admito que atraquei nesse cais, mas o trem me chama e eu vou "mimbora". Eu volto, agora, na hora, quando for, quando não houver mais dor. Voltar sempre, mas por alegria, não era isso que você queria?

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Para mim, sobre você e nós.

Pegamos a sessão das 16hs. O filme escolhido depois de uma unânime escolha foi Elena. Fazia calor e fomos a pé, caminhando na cidade de São Paulo, o que se tornou um dos nossos grandes prazeres: a cidade de São Paulo e fotografar ruas e nós. É engraçado, estar com ela do lado e Elena na tela, já foi o contrário. Mas não é sobre minha felicidade leve que venho falar, é forte o que quero dizer, é sobre ser, exercer e voar. Quer coisa mais difícil do que isso? O vício, o verbo, o exagero, o ato , fato constante na vida dos que trazem cicatrizes, aquelas de gilete e aquelas de olhos, de almas, de choros, de nãos. Me refiro aos que tomam porre, os que não tem medo de dançar descalço num quintal de uma casa ouvindo ódara, aos que choram em dupla e riem em dueto. Porque só quem não tem medo de viver o não óbvio vai além, a não ser que obviedades sejam fundamentais pra esse ou aquele, aí esse ou aquele me dão vertigens e no máximo na vida trocaria meio dúzia de palavras num consultório de dentistas. Sim, tenho andado meio cruel. Não, é que em tão pouco tempo e com uma certa boa vontade tanta coisa em você pode mudar, tanta coisa vai por água abaixo, tanta coisa é tão pouco e tanta coisa é quase nada. É assim, assumindo o que é, disfarçando o que não é e traduzindo o que pode ser, que a vida meu amigo sucede. Como é bom ser o que se é, como é bom se arrepender, duvido daqueles que não se arrependem, eu por exemplo me arrependo de tudo que fiz ontem, mas hoje não e amanhã também não. E depois sim. O que importa é que sou protagonista e antagonista da minha prosa. O que importa é que somos rimas. E como fazemos bem, felizes. Ah, na volta pra casa, ela me deu o novo livro do Leminski.